Alphabet deixa Google mais transparente para mercado, dizem analistas

Em 12 ago 2015 - 4:17pm por redação
Alphabet deixa Google mais transparente para mercado, dizem analistas

O Google pode ser mais conhecido pela sua onipresente ferramenta de buscas, mas há um bom tempo a empresa é associada com empreendimentos aparentemente excêntricos em áreas tão diversas como carros sem motoristas, drones e envelhecimento humano. Na segunda-feira, 10/8, a gigante deu um passo no sentido de transformar essas “aventuras” em algo mais legítimo – e mais transparente.

Assim nasceu a Alphabet, catapultando os principais executivos do Google para novos cargos com novos títulos. Os cofundadores Sergey Brin e Larry Page agora são presidente e CEO da Alphabet, respectivamente, enquanto que Sundar Pichai (foto abaixo), ex-VP de Android, Chrome e Google apps, virou CEO do Google.

Alphabet deixa Google mais transparente para mercado, dizem analistas

É uma iniciativa que permite que o negócio já bem-estabelecido de buscas do Google continue no mesmo ritmo pelas mãos competentes de Pichai, enquanto esses outros empreendimentos – os mais interessantes, alguns podem dizer – recebem um papel mais claro e proeminente pelas mãos de Brin e Page, mesmo que os executivos mantenham a liberdade de interferir no Google caso seja necessário.

“O negócio principal de buscas do Google já é uma fonte de dinheiro faz tempo”, afirma o presidente, fundador e analista principal da Technalysis Research, Bob O’Donnell. “Ele essencialmente justificou todas essas explorações em outras coisas estranhas.”

Essa relação funcionou bem por um tempo, mas “vem havendo um aumento no sentido de ‘Ei, você precisa ficar sério sobre essas outras iniciativas se realmente vai fazê-las”, diz O’Donnell. “Caso contrário, é apenas um apanhado de projetos de ciências.”

Talvez mais notavelmente, a nova reestruturação vai obrigar a Alphabet a revelar separadamente os rendimentos para os seus vários empreendimentos diferentes, aponta o especialista.

“A falta de transparência realmente é um programa antigo entre os analistas financeiros que acompanham o Google”, explica o presidente e analista principal da Pund-IT, Charles King. “A estrutura da Alphabet parece feita para especificamente lidar com essas reclamações.”

Uma grande parte da motivação por trás da iniciativa parece ser reestruturar o Google de uma maneira que torne a empresa mais claramente compreensível para quem está de fora, em especial investidores e analistas financeiros.

“Em um nível, o Google é uma empresa altamente bem-sucedida que domina com folga o mercado de publicidade móvel e online”, afirmou King. “Mas as manchetes dos veículos costumam dar mais atenção para os lados menos convencionais da companhia, incluindo aquelas áreas em que o Google normalmente faz grandes apostas – e muitas vezes erra.”

Na verdade, esses esforços podem ter um impacto minúsculo nos negócios de forma geral, mas a verdade é que quando eles não decolam, podem virar “um tipo de peso na percepção pública sobre o Google e o valor das suas ações”, aponta King.

A nova estrutura deverá permitir mais agilidade ao dar a cada empreendimento a habilidade de assumir riscos enquanto permanece “à distância de um braço” da estrutura corporativa, destaca o analista principal da consultoria Enderle Group, Rob Enderle.

Alphabet deixa Google mais transparente para mercado, dizem analistas

Ao mesmo  tempo, a iniciativa pode limitar a imputabilidade da companhia e o alcance do governo, diz o especialista, como quando o Google é alvo de multas por suas práticas no segmento de buscas.

“Com a maioria das multas previstas vindo de buscas, isso poderia permitir que o Google arruine o negócio de pesquisas ou argumente por uma multa menor ligada à essa empresa agora menor”, explica.

Também poderia fazer com que os pedidos por informações sejam feitos para as empresas específicas, em vez de a companhia toda.

Além disso, “eles (Google) poderiam incorporar algumas das suas empresas em regiões com melhores estruturas regulatórias e de impostos, apesar de conseguir fazer isso talvez seja mais difícil do que vale a pena”, afirma Enderle.

Por último, mas não menos importante, a iniciativa do Alphabet provavelmente poderia ajudar na retenção de executivos, diz o analista.

“Como agora existem muito mais postos top de executivos para preencher, menos deles terão de sair do Google para virarem CEOs”, afirma Enderle. “Eles (Google) agora podem deixar as aquisições intactas na maior parte, como a Dell faz, para que não precisem esvaziar esses executivos após uma aquisição.”

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