Cientistas querem minerar asteroides para colonizar uma segunda Terra

Em 19 ago 2015 - 10:39pm por redação
Cientistas querem minerar asteroides para colonizar uma segunda Terra

Poderia até ser o roteiro de um filme de ficção científica. Na verdade, adicione algo sobre salvar a Terra e se torna algo sobre viajar através do espaço para encontrar asteroides, aterrissar e perfurá-los. E bem, isso é exatamente o que um pequeno grupo de cientistas da companhia Deep Space Industries está tentando fazer. 

A partir de um escritório no topo do Ames Research Park, no Vale do Silício, a empresa tem trabalhado em um plano futurístico para localizar asteroides, estudá-los e depois enviar uma nave espacial para extrair seus minerais. O objetivo? Permitir uma ambição ainda mais sci-fi: cidades no espaço. 

“O futuro que nós vemos, em 20 ou 30 anos, é que queremos apoiar pessoas construindo no espaço. Cidades com milhares de pessoas morando nelas”, prevê Daniel Faber, CEO da companhia. “E para chegar nesse estágio, você precisa de uma quantidade massiva de material”, completa.

Mas vale ressaltar que enviar materiais de construção da Terra via naves espaciais não é algo eficiente; é perigoso e acima de tudo, caro. É uma das principais razões por que cidades espaciais não são levadas a sério hoje, disse Faber. Porém, ele acredita que a ideia se torna mais realista se naves forem usadas apenas para levar os equipamentos complexos enquanto outras partes seriam construídas em órbita. 

Ele espera atingir os milhares ou mais asteroides que estão em órbita ao redor do sol que são semelhantes a órbita terrestre. “É fácil ir atrás deles e depois retornar”, garante.  

A Deep Space Industries planeja primeiro enviar uma pequena nave que pousará no asteroide e, por meio de um robô, pegar amostras e analisar o mineral proveniente das pedras. 

A companhia espera encontrar material que possa ser usado para construir e torná-lo ainda em propulsor e combustível. Depois, uma espaçonave ainda maior seria enviada para realizar a mineração mais pesada. 

A ideia é que a nave mais robusta voltará dos asteroides com centenas de toneladas de material – o suficiente para começar a construir estruturas sérias no espaço. 

“Nós fizemos as contas. Nós fizemos os planos e eles mostram que em dez anos é possível”, ele diz. 

Mineração de asteroides não abre apenas uma porta para colonização espacial, também poderia abrir a porta para uma disputa legal espacial. 

A United Nations Treaty on Outer Space, de 1967, quando o espaço era um domínio de agências nacionais, diz que nenhum país pode dominar um corpo celeste, mas isso não significa que companhias ou pessoas não possam fazê-lo. 

A questão é uma das muitas que estão vindo à luz a medida que a barreira para entrar no espaço começa a baixar. Tecnologia moderna significa redução de custos, ambos para lançamento e engenharia, e companhias privadas estão mirando o espaço em uma escala que nunca foi vista antes. 

Faber acredita que dentro de seu tempo de vida, viagens espaciais vão se tornar uma rotina.

Então, ele estaria maluco?

Talvez não. Pelo menos, uma companhia tem buscado a mesma ideia, no caso a Planetary Resources em Redmond, Washington, bancada por Eric Schmidt e Larry Page do Google; Richard Branson, e ex-engenheiro da Microsoft e turista espacial Charles Simonyi. 

Sua primeira nave espacial foi lançada a partir da Estação Espacial Internacional para testar eletrônicos de aviação, sistemas de controle, software como parte do trabalho de desenvolvimento da companhia. 

“É um pouco parecido com o que era o PC nos anos 1980”, compara Faber. “Ninguém sabia ainda por que todos poderiam querer um PC, parecia uma ideia maluca, mas pessoas começaram a vender em suas garagens”. 

 

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