Mulheres criam página no Facebook para denunciar machismo na computação

Em 19 ago 2015 - 7:33am por redação

Ela sempre ouviu por aí que trabalhar na área de computação e tecnologia é coisa de homem. Cansada dos ataques machistas sofridos diariamente também por suas alunas, a professora Karen Figueiredo, 27, moradora de Cuiabá (Mato Grosso do Sul), decidiu criar a página no Facebook chamada "Delete seu Preconceito". A ideia é divulgar por meio de frases e fotos, situações preconceituosas vividas pelas estudantes e profissionais da área.

Criada em julho deste ano, a página já conquistou mais de 6.400 curtidas. Segundo Karen, a inspiração surgiu após conhecer o projeto "Ah, branco, dá um tempo!" que também relata discriminações sofridas por estudantes negros. "Passei por muito preconceito na chegada ao mercado de trabalho e no início da minha vida acadêmica. Sei o quanto isso pode influenciar nas escolhas de uma adolescente que ainda não possui tanta experiência e autoconfiança e acredita nos estereótipos que a sociedade impõe".

Para a professora, a parte mais difícil do projeto foi conseguir mobilizar as meninas a participar da campanha. Apesar de muitas relatarem acontecimentos constrangedores, a coragem de tirar fotos e expor o problema era pouca. "Algumas alegavam medo de que a frase fosse reconhecida pelo verdadeiro autor e receio de novos ataques", conta Karen.

Frases como: "Achei que em Computação só tinha mulher feia", "Computação é como um navio pirata: só tem homem e canhão" ou até mesmo "Você faz programa?" foram escutadas diversas vezes por meninas que participam do projeto. A estudante Ludmilla Galvão, 19, foi uma das vítimas que recebeu diversos ataques preconceituosos devido à profissão. Um homem disse para ela: "Achei que garota fazia Computação para mexer no Facebook".

Ela, que cursa o 5° semestre de Bacharelado em Ciência da Computação, não recebeu apoio de alguns familiares que acreditavam que o curso, não era adequado a uma moça. "Muitos ainda tinham a visão de que mulher só serve para ser dona de casa". Já a estudante de Sistemas de Informação Ketelem Lemos, 19, conta que passou por diversas situações constrangedoras, tanto na faculdade, quanto no trabalho.

"Já fui ignorada por colegas de serviço que diziam que eu não era capaz de executar as mesmas atividades por ser mulher e que devia estar na área de Humanas. Também já escutei de alguns homens que mulheres que viram técnicas de informática são porque não são bonitas o suficiente para serem secretárias ou arrumarem homens ricos".

Mesmo com as dificuldades, a jovem acredita que o preconceito vem se estreitando e mudando de cara com o tempo. "As meninas de todo país estão começando a levantar a voz e se posicionar", enfatiza.

Repercussão

Segundo a professora Karen, a página recebe diariamente histórias pessoais de meninas de todo o país. Entretanto, os homens também não ficam de fora. Mensagens de parabenização e incentivo pelo projeto fotográfico são encaminhadas constantemente por eles.

"Um fato interessante é que de todas as curtidas que a página tem atualmente, exatamente 50% são do público feminino e outros 50% do público masculino. Apesar da equidade de gênero ainda não ter chego à área de computação, no ‘Delete seu Preconceito’ ela está presente”.

Quem quiser participar do projeto deve enviar uma foto e uma frase para o Facebook do projeto. É importante que a mensagem esteja escrita em um computador, smartphone, ou tablet.

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