No futuro do wearable, o usuário será a rede

Em 4 set 2015 - 12:51pm por redação
No futuro do wearable, o usuário será a rede

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em San Diego, descobriram uma maneira dos dispositivos vestíveis se comunicarem através do corpo de uma pessoa, em vez de em torno dele. 

De cara, o trabalho deles pode levar os wearables a terem maior autonomia, com o uso de baterias ainda menores. E também aumentar a segurança.

A proliferação de smartphones, relógios inteligentes, dispositivos de monitoramento de saúde e outros usados junto ao corpo levou à criação das chamadas PAN (Personal Area Networks), que agregam os gadgets e fornecem um caminho para a Internet através de um deles, com comunicação WiFi ou através do celular. Atualmente, essas PANs usam comunicações de curto alcance como o Bluetooth.

Mas o Bluetooth não pode transmitir bem através do próprio corpo, então ele precisa fazer o sinal circular ao seu redor. E como os sinais Bluetooth podem ser acessados em distância de até 10 metros, isso aumenta as possibilidades de espionagem e leva a “path loss”, efeito que enfraquece os sinais, de acordo com os pesquisadores.

A equipe liderada por Patrick Mercier, do Department of Electrical and Computer Engineering da universidade, descobriu uma maneira de usar o próprio corpo como meio de transmissão de dados, usando campos magnéticos. A solução é 10 milhões de vezes mais estável, apresentado menos perdas, do que a gerada pelo Bluetooth.

Isso pode tornar as PANs muito mais eficientes, porque os dispositivos não têm que se “esforçar” tanto para se comunicar e podem ter baterias menores – ou prolongar a vida útil das baterias em uso hoje.

A equipe prevê que a tecnologia possa ser utilizada para as redes de sensores de monitoramento da saúde espalhados pelo corpo.

Um protótipo de rede foi instalado no corpo do Jiwoong Park, estudante no laboratório de Mercier, como prova de conceito. A equipe usou  bobinas de fio de cobre em torno de cada um dos seus braços, e elas passaram a enviar sinais magnéticos de um braço para o outro, usando o corpo.

Segundo os pesquisadores, não há perigo grave para a saúde do portador porque os campos magnéticos usados são de baixa frequência. Muito mais fracos do que aqueles usados em aparelhos de ressonância magnética, disse Mercier.

Apesar de alguns sinais poderem irradiar para fora do corpo, eles se dissipam rapidamente, evitando as chances de interceptação por quem estiver próximo, disse Mercier. Ainda assim, qualquer dado médico enviado pelos sensores através da rede deve ser criptografado, acrescentou. 

Os sinais também podem fluir, provavelmente, para o corpo de alguém tocado pelo usuário, mas os pesquisadores ainda não fizeram testes suficientes a respeito.

Comentários no Facebook