Ao bloquear conteúdos por meio de VPN, Netflix pode estimular pirataria

Em 7 mar 2016 - 6:54pm por redação
Ao bloquear conteúdos por meio de VPN, Netflix pode estimular pirataria

Reforçado em janeiro deste ano, o bloqueio de conteúdo via VPN pelo Netflix pode fazer com que seus assinantes migrem para serviços de pirataria, como o popular Popcorn Time, de acordo com nova reportagem da Wired.

Em entrevista para o site especializado, diversos usuários se mostraram contra a iniciativa da plataforma de streaming, que visa proteger os diferentes acordos de conteúdos que possui com os estúdios e produtoras nas diferentes regiões do mundo.

Vale notar que o Netflix, agora uma “rede global de TV com presença em 190 países, possui catálogos bem diferentes ao redor do mundo.

“Cancelei minha assinatura (do Netflix). A pirataria é criada pela ganância da indústria do entretenimento e seus acionistas. Sou um cara normal disposto a pagar por conteúdo e eles estão tornando isso quase impossível”, afirmou  Johan Stindt, que vive na Áustria e na Holanda e não quer ser restringido sobre o que pode assistir no netflix quando viaja pela Europa.

O português Maique Madeira segue a mesma linha de raciocínio para justificar o uso de VPN para conseguir assistir a diferentes filmes e programas – alguns serviços de VPN continuaram funcionando mesmo após o Netflix apertar o cerco neste início de ano. “Uso uma VPN porque sinto que devo ter acesso ao mesmo catálogo dos usuários dos EUA, ou de qualquer outro país. Nós pagamos o mesmo valor e, mesmo assim, recebemos uma fração do conteúdo disponível em outros lugares. Dinheiro não é o problema. É injusto. Esse é o meu problema com isso.”

Abaixo assinado

O grupo de defesa de direitos digitais Open Media até criou um abaixo-assinado online para que o Netflix volte atrás em sua decisão. “Se o precisa reforçar a restrição de conteúdo, precisa existir uma maneira melhor para fazer isso. Muitas pessoas usam as VPNs como uma ferramenta de privacidade”, afirma o gerente de comunicações do grupo, David Christopher, em entrevista à Wired.

Até o fechamento da reportagem, a petição online já contava com mais de 36 mil assinaturas.

Netflix não se preocupa

Durante um evento realizado em janeiro deste ano, o CEO Reed Hastings descartou qualquer impacto negativo para a empresa por conta da iniciativa polêmica.

“Acho que não veremos nenhum impacto. Sempre reforçamos o bloqueio de proxy com uma lista negra. Agora temos uma blacklist ampliada e melhorada. Por isso, não acho que veremos nenhuma grande mudança”, afirmou o executivo sobre uma possível perda de assinantes em consequência da novidade.

Além disso, o executivo defendeu na ocasião que o pedido dos detentores dos conteúdos por restrições mais duras contra o acesso baseado em uso de VPN e outros “truques” é algo bastante razoável.

Por fim, o executivo destacou que a empresa trabalha para disponibilizar todo o seu conteúdo original de forma igual pelo mundo. Os assinantes da Índia, por exemplo, não podem assistir ao seriado House of Cards, com Kevin Spacey, por restrições da Sony Pictures.

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