SXSW 2016 – Ad blockers como ad networkers?

Em 15 mar 2016 - 1:48pm por redação
SXSW 2016 - Ad blockers como ad networkers?

Apesar do grande potencial de guerra, o painel do SXSW com Lewes D’vorkin, Chief Product Officer da Forbes Media e Ben Willians, Head of Operations da Ad Block Plus – um representando a indústria de marketing e conteúdo e o outro uma das ferramentas de ad blocking mais conhecidas no mercado – acabou sendo uma conversa educada e profunda sobre o quanto os mecanismos de bloqueio de conteúdo estão revolucionando a propaganda digital.

Se, por um lado, a usabilidade dos usuários fica melhor devido à redução dos conteúdos de marketing aos quais são expostos, os publicadores perdem grande parte do seu potencial de alcance e conversão.

Segundo Lewes D’vorkin, 40% dos seus usuários, ou seja, 5,4 milhões de pessoas, já utilizam algum tipo de ad blocking. Nas pesquisas feitas por eles, os usuários se dizem preocupados com os seus dados e querem uma experiência de navegação melhor, por isso usam essas ferramentas que se integram aos browsers e limitam o conteúdo exibido em algumas páginas web.

Para Ben Willians, as ferramentas de bloqueio de conteúdo são, na realidade, um processo inovador que visa melhorar a forma como o marketing é feito. Ele defende ainda que o modelo de negócio de anúncios online não se sustenta mais, já que o mercado, em teoria, não limita a quantidade de anúncios por página, expandindo a oferta de espaço e jogando os preços para baixo – num ciclo que só faz aumentar a quantidade de mensagens publicitárias exibidas.

Willians lembra ainda que o objetivo dos ad blockers é balancear o poder entre marketing e consumidor, permitindo que o segundo grupo possa selecionar como/quanto deseja ser impactado. Mais que isso, ad blockers evitam que informações sobre o usuário sejam coletadas e reduzem a quantidade de dados trafegados, influenciando diretamente na velocidade de navegação.

O mercado de marketing argumenta que os ad blockers, na realidade, se tornaram ad networkers, e acabam regulando o que vai ou não para os usuários. É exatamente neste momento que as ferramentas encontraram o espaço para monetizar. Enquanto permitem que apenas anúncios devidamente formatados possam ser exibidos para os usuários, aproveitam para prestar serviços de consultoria e targeting, entregando o conteúdo para as pessoas mais adequadas.

Com mais de 200 ferramentas de ad blocking disponíveis atualmente, fica claro que esse modelo não tem volta e a disputa de poder entre marketing e ferramentas de bloqueio está longe ter um fim.

 

(*) Luiz Reolon é estrategista digital da CI&T e está em Austin acompanhando o SXSW 2016

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