NASA prepara sonda Cassini para mergulho final rumo aos anéis de Saturno

Em 12 set 2017 - 12:33pm por redação
NASA prepara sonda Cassini para mergulho final rumo aos anéis de Saturno - IDG Now!

Após uma missão de 20 anos, a sonda Cassini se prepara nesta semana para fazer seu último mergulho dentro dos anéis de Saturno. A manobra será, entretanto, fatal para o veículo espacial que colecionou descobertas importantes sobre o sexto planeta do sistema solar.

No chamado Grande Finale, a Cassini chegará ao ponto mais próximo do planeta para, depois queimar, na atmosfera. A previsão é que isto aconteça na próxima sexta-feira (15).

Era 1997 quando a Nasa, a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) e a Agência Espacial Italiana (ASI) lançaram a missão Cassini-Huygens para melhor compreender Saturno e seu sistema planetário. Ao todo, o projeto envolveu a colaboração de 17 países e um orçamento superior a US$ 3 bilhões.

Junto à sonda, foi acoplada a nave Huygens que, com a ajuda de um paraquedas, conseguiu aterrissar na lua Titã em 2005, o maior satélite natural de Saturno e o segundo maior do nosso sistema solar. Com tal empreitada, pesquisadores conseguiram concluir que a Titã possui características muito parecidas com a Terra. Com um raio de 2.575 km, ela possui temperaturas muito baixas, porém é o único lugar já descoberto com líquido estável na superfície. O ciclo é similar ao da água, porém apresentou presença de metano.

Na outra lua de Saturno, Encélado, também foi encontrada água, cujos vapores saem de sua superfície. Ali, as agências conseguiram confirmar a presença de gás hidrogênio.

A Nasa chegou a uma contagem de 53 luas confirmadas do planeta, com mais nove em investigação.

Desde o início da missão, as agências tinham como objetivo capturar imagens do planeta, luas e seus anéis, fazer mapas detalhados da gravidade e dos campos magnéticos do planeta e, consequentemente, entender melhor do que são feitos os anéis de Saturno.

O beijo da despedida

No último sobrevoo, também batizado melancolicamente de o “beijo da despedida”, Cassini terá aqui talvez seu maior triunfo: contribuir para cientistas desvendarem o grande mistério que envolve a origem dos anéis de Saturno.

Até então, a missão mostrou que as partículas que compõem os anéis são menores que um grão de areia e concluiu que os jatos da lua Encélado fornecem boa parte do material de um dos anéis . Boa parte das partículas é composta pela troca entre os anéis e as luas de Saturno.

A nave não tripulada Cassini-Huygens foi lançada por um foguete Titan 4B. Com um peso de 5.670 quilos, a sonda percorreu mais de 3,5 bilhões de quilômetros. Chegou a Saturno em 2004 e se tornou seu primeiro satélite artificial após uma longa manobra, enviando valiosas informações desde que entrou na órbita do planeta.

O nome de batismo da Cassini é uma homenagem ao astrônomo italiano Giovanni Domenico Cassini, que descobriu quatro satélites de Saturno e a divisão entre os anéis . Já a nave Huygens referencia o físico matemático e astrônomo Christiann Huygens, responsável pela descoberta da lua Titã, em 1665.

Entre as informações enviadas pela sonda se destacam fotografias que mostram vistas da descomunal tormenta hexagonal que reina no polo norte do planeta, além das imagens de maior resolução tomadas de Pandora, a lua de 84 quilômetros de diâmetro no anel exterior. A nave também coletou dados sobre o lado noturno de Titã, que apresenta entre 10 e 200 vezes mais luz que seu lado diurno. Os cientistas acreditam que isso pode se dever à eficiente difusão frontal da luz solar pela extensa neblina de sua atmosfera, um comportamento que só Titã apresenta em todo o nosso Sistema Solar.

Neste momento, a Cassini se encontra com pouco combustível para prolongar a missão. Os responsáveis pelo projeto decidiram encerrar a missão com o mergulho na superfície de Saturno para evitar que Cassini se colida com a lua Titã.

Mesmo que Cassini encontre seu final na próxima sexta-feira, sua viagem de 22 mergulhos pela órbita de Saturno terá resultado em imagens e dados coletados que serão analisados durante décadas por cientistas.

 

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