Bitcoin bate recorde de US$ 18 mil após estrear na bolsa de Chicago

Em 11 dez 2017 - 5:57pm por redação

O bitcoin bateu um novo recorde após a CBOE Global Markets começar a negociar contratos futuros da moeda digital neste domingo, chegando a ser negociado em US$ 18,7 mil. Nesta segunda, entretanto, a moeda sofreu recuo e é negociada a cerca de US$ 16,5 mil, segundo cotação da Coindesk.

Ao estrear na CBOE, o bitcoin recebe um dos seus maiores reconhecimentos pelo mercado. Isso porque atesta a legitimidade da moeda, uma vez que reconhece que se trata de um ativo como qualquer outro, como dólar, euro, petróleo, soja, e que pode ser trocado. Nos chamados contratos futuros (derivativos), um investidor se compromete a comprar ou vender um ativo por um determinado valor em uma data futura. Dessa forma, ele se protege de oscilações de preços ou especulações.

Segundo informações da Reuters, o contrato do bitcoin era o mais negociado na CBOE quando abriu em US$ 15,4 mil em Nova Iorque no domingo à noite, antes de avançar para o recorde de US$ 18,7 mil. Um ganho de 21%. Nos 10 primeiros minutos de sua estreia na plataforma, havia 177 contratos sendo negociados, principalmente os de janeiro. Entretanto, ainda não se sabe ao certo o volume de contratos em negociação uma vez que o sistema do site da CBOE caiu algumas vezes devido ao intenso tráfego.

Quando se trata da polêmica moeda, vale colocar as coisas em perspectiva. No início deste ano, um único bitcoin era negociado a 968,23 dólares. Com todo esse crescimento em 2017, a criptomoeda agora possui um valor de mercado estimado em 180 bilhões de dólares, de acordo com o BitInfoCharts, mais do que empresas gigantes, como a General Electric.

O bitcoin também é alvo de severas críticas, incluindo a do premiado economista Joseph Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel em 2001 por sua análise sobre mercados com informações assimétricas. Para ele, a moeda deveria ser banida. Em entrevista para a Bloomberg, Stiglitz afirmou que o “Bitcoin só é bem-sucedido por conta do seu potencial para fraudes e falta de supervisão”. “É uma bolha que dará muitas emoções para muitas pessoas à medida que sobe e desce”, ressaltou.

Sem a vigilância de órgãos governamentais, aponta o vencedor do Nobel, a criptomoeda “deve ser banida” uma vez que “não serve a nenhuma função social verdadeira”.

Outra reportagem da Bloomberg destaca que cerca de 40% do mercado de bitcoin está nas mãos de aproximadamente 1 mil pessoas. Essa concentração pode causar uma queda abrupta da moeda.

Isso porque, como aponta o diretor de pesquisas de mercados financeiros da AQR Capital Management, Aaron Brown, cada uma dessas pessoas que possuem grandes quantidades de Bitcoin podem decidir vender as suas partes por metade do preço, por exemplo. “Penso que há algumas centenas de pessoas. Eles provavelmente podem ligar uns para os outros, e eles provavelmente fazem isso”, afirma o sócio-diretor da Multicoin Capital, Kyle Samani, em entrevista para a Bloomberg.
O cofundador da BlockTower Capital, Ari Paul, segue a mesma linha de pensamento, ao afirmar que, “como em qualquer categoria de ativos, grandes proprietários individuais e corporativos podem e conspiram para manipular preços”. Segundo ele, no segmento de criptomoeda “tal manipulação é extrema por conta da juventude desses mercados e da natureza especulativa dos ativos”.
De acordo com o advogado especializado do escritório Ross & Shulga, Gary Ross, como o Bitcoin é uma moeda digital e não uma segurança, não há nenhum tipo de proibição quanto à prática.

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