Estresse por excesso de tecnologia pode acabar com produtividade

Em 16 fev 2018 - 11:46am por videobes


A tecnologia muda de forma rápida.

A cada nova mudança, os funcionários são obrigados a se adaptarem. Esse processo de adaptação é doloroso – tanto fisicamente quanto psicologicamente.

É por isso que parecemos descobrir um novo problema de saúde relacionado à tecnologia de tantos em tantos anos.

Quero falar para vocês sobre a “mãe” de todos os problemas de saúde relacionados à tecnologia: o tecnoestresse (technostress, no original em inglês). Mas antes, um pouco de história.

Quando os computadores “destruiram” os nossos corpos

O mercado de PCs chegou ao grande público nos anos 1990. No início daquela década, a maioria das pessoas não usava computadores nos escritórios. Em 2000, basicamente todo o trabalho em escritórios já envolvia PCs.

O uso do teclado e do mouse e a necessidade de passar o dia sentado usando um PC causou uma epidemia de lesões por esforço repetitivo, incluindo a temida síndrome do túnel do carpo. Em um determinado momento, parecia que todo mundo que eu conhecia tinha algum tipo de problema causado pelo uso de computadores.

Era comum naquela época ver as pessoas usando munhequeiras no trabalho. As empresas investiam em almofadas de pulso, mouses e teclados ergonômicos, e em descansos especiais para os pés. Os gastos com seguro médico para tratamento da síndrome de túnel do carpo dispararam.

Então vieram os anos 2000 e os aparelhos móveis decolaram. O uso de tecnologia nas companhias foi diversificado entre notebooks, pagers da BlackBerry, PDAs e telefones celulares. Paramos de ouvir falar sobre a síndrome de túnel do carpo e começamos a escutar histórias sobre lesões nos dedos e outros problemas parecidos por estresse repetitivo causados pela digitação em celulares ou pagers.

Há cerca de 10 anos, os problemas de saúde relacionados à tecnologia mudaram da área física para a mental.

Os funcionários começaram a sofrer todos os tipos de síndromes psicológicas, desde a chamada “nomofobia” (o temor de ficar sem acesso a um smartphone) até síndrome de vibrações fantasmas (quando você pensa ter sentido o celular vibrar, mas o aparelho nem está lá), passando por insônia causada pelas telas dos smartphones e o próprio vício nesses celulares inteligentes.

Nos últimos anos, os nossos smartphones começaram a afetar negativamente a nossa saúde ao nos dar acesso às redes sociais durante dia e noite, com notificações e alertas nos dizendo que algo está acontecendo. Milhões de pessoas agora sofrem do vício em smartphones, que, na verdade, é um vício em redes sociais, e está prejudicando a produtividade, a saúde e a felicidade das pessoas.

E agora a ciência identificou uma coleção de problemas causados pelo efeito acumulado de toda a nossa tecnologia, chamada de “tecnoestresse”.

O que é o tecnoestresse exatamente?

O tecnoestresse não é realmente a doença mais recente da série de síndromes causadas pela tecnologia.

Na verdade, é um termo “guarda-chuva” que engloba todos os efeitos psicológicos negativos que resultam das mudanças na tecnologia.

Nomofobia, síndrome da vibração fantasma, insônia causada pela tela do celular, vício em smartphones, sobrecarga de informações, fatiga do Facebook, selfite (necessidade compulsiva de publicar selfies), distração causada pelas redes sociais e todos os outros problemas relacionados são colocados embaixo do “guarda-chuva” do tecnoestresse.

Enquanto a ergonomia cobre os efeitos físicos da tecnologia sobre os usuários, o tecnoestresse diz respeito aos efeitos mentais.

Com o passar do tempo, o tecnoestresse está cada vez mais relacionado à compulsão. As pessoas agora sentem uma ansiedade forte quando não estão vendo algo nos seus smartphones, temendo e-mails e mensagens que possam não ter visto e com um sentimento geral de FOMO (fear of missing out / algo como “medo de ficar por fora”) com as rede sociais.

Enquanto estão conectados, os usuários checam de maneira compulsiva todos os fluxos de comunicação e se sentem obrigados a responder a todos eles. O tempo parece parar, e as horas de trabalho gastas no uso compulsivo de redes sociais e apps de mensagens levam bem mais tempo do que pensamos normalmente.

Ao fim de um dia de trabalho, os funcionários estão exaustos, sentindo que trabalharam duro o dia todo. Mas boa parte desse cansaço é causado pela constante mudança mental de um meio de comunicação para outro, e a ansiedade e o estresse são ocasionados por essa comunicação incessante.

O tempo gasto nas redes sociais pelos usuários sobe a cada ano, enquanto que o tempo gasto de forma produtiva no trabalho só diminui. Apesar de os CIOs e gerentes de TI focarem os seus esforços para impulsionar a produtividade com novas tecnologias, a verdadeira solução é uma mudança de cultura.

Pesquisa da Microsoft

Uma nova pesquisa feita pela Microsoft com cerca de 20 mil trabalhadores da Europa descobriu que a tecnologia causa estresse, o que diminui a satisfação com o trabalho, o compromisso organizacional e a produtividade.

Mais especificamente, o estudo aponta que o volume e a persistências dos e-mails, mensagens de texto e posts nas redes sociais distraem e estressam as pessoas.

A Microsoft aponta também que os líderes de TI aceitam prontamente a necessidade competitiva de disrupção digital, assim como a necessidade de fazer isso da maneira correta. Mas a companhia de Redmond destaca que fazer isso do jeito certo não significa apenas implementar novas maneiras de trabalhar, mas também ajudar os funcionários com esse estresse causado pela disrupção digital.

No passado, os trabalhadores conseguiam focar no trabalho enquanto estavam no trabalho e na vida pessoal quando não estavam no trabalho. Hoje, os smartphones, as redes sociais e os apps de mensagens mantém um fluxo constante de mensagens profissionais e pessoais durante as 24 horas do dia, e isso tem um preço.

As notificações nos smartphones interrompem, e aqueles círculos vermelhos com números nos apps, que mostram as mensagens aguardando para serem lidas, atraem as pessoas.

Apenas uma pequena fração dos entrevistados pela Microsoft – 11,4% – disseram que se sentem altamente produtivos.

A tecnologia, e a maneira como ela é implementada, não estão tendo o efeito esperado. Ela está causando o tecnoestresse e diminuindo, em vez de aumentar, a produtividade das pessoas.

A principal solução para isso, segundo a Microsoft, é uma forte cultura digital dentro das empresas.

Vale notar que 22% funcionários entrevistados que trabalham em companhias com uma forte cultura digital disseram se sentir altamente produtivos, basicamente o dobro da média geral do levantamento.

Veja abaixo exemplos de boas práticas de cultura digital para serem adotadas:

-Coloque limites no e-mail; nada de enviar ou responder e-mails depois do horário de trabalho

-Meça a felicidade do seu funcionário com a tecnologia por meio de pesquisas próprias, e então tome medidas de acordo com os resultados

-Foque em construir o dia de trabalho para permitir o fluxo, ou trabalhos altamente concentrados

-Considere a opção de barrar smartphones em reuniões

-Fale com os funcionários sobre as causas e as soluções para o tecnoestresse, incluindo o gerenciamento do uso de redes sociais

-Encoraje a equipe a fazer pausas, evitar trabalhar após o horário comercial e preferir a comunicação em pessoa, em vez dos meios digitais

-Mais importante de tudo: leve isso a sério. Esse é o tipo de coisa que os gerentes, principalmente de TI, costumam dispensar. (A pesquisa da Microsoft aponta que os funcionários de cargos técnicos são os que apresentam menos chances de sofrer de tecnoestresse, e por isso acreditam que não se trata de um grande problema.)

A hora é agora

O tecnoestresse pode soar como um “capricho”, uma buzzword sem grande importância. Mas na verdade é provavelmente o problema mais custoso para a sua empresa.

O tecnoestresse é causado pelas mudanças na tecnologia, e o ritmo desses avanços vai continuar aumentando. Inteligência Artificial, análises de dados, robótica, Internet das Coisas, Realidade Virtual, Realidade Aumentada – essas alterações vão levar o tecnoestresse para um nível totalmente novo.

À medida que as mudanças acelerem seu ritmo, os danos do tecnoestresse também vão crescer.

Enquanto isso, uma mudança cultural verdadeira leva tempo.

Por isso, a hora de lutar contra o tecnoestresse é agora.

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