Como a Apple transforma grandes ideias em produtos para consumidores

Em 21 maio 2018 - 6:36pm por videobes


Às vezes é legal pensar grande.

Uma das maiores empresas do mercado de tecnologia, a Apple costuma focar seus esforços em produtos: coisas que ela cria e que acabarão sendo usadas pelos consumidores. Smartphones, tablets, computadores e por aí vai. Enquanto outras companhias de TI algumas vezes colocam energia e recursos em projetos grandiosos – ideias enormes e custosas que buscam remodelar o mundo, mas raramente conseguem isso – a Apple normalmente parece contente em quebrar barreiras do aqui e agora.

Mas isso não significa que a empresa de Cupertino não tenha ambições maiores: a fabricante do iPhone apenas não fala sobre elas. Em muitos casos, isso é provavelmente porque essas ideias ainda não atingiram o ponto necessário para se tornarem produtos discretos que a empresa pode produzir e vender. Quando você está se comprometendo com uma ideia grande, especialmente em um mercado consolidado, pode ser difícil refiná-la para o nível atômico de um produto.

Saudável e feliz

O segmento fitness e de saúde tem recebido uma atenção especial da Apple desde que Tim Cook assumiu o comando da empresa. Assim como a música era uma paixão de Steve Jobs, saúde e fitness parecem ter um lugar especial com o atual CEO da gigante. E a companhia “atacou” essa indústria a partir de ângulos diversos: o Apple Watch como um wearable com um forte componente fitness, o HealthKit como um repositório centralizado para informações de saúde no seu dispositivo, e o ResearchKit como uma forma de impulsionar o seu aparelho a melhorar a saúde a longo prazo.

Mesmo com tudo isso, ainda há muito trabalho a ser feito no conhecidamente complexo segmento de cuidados de saúde, e a Apple não está mostrando sinais de que pretende parar. Recentemente a empresa fez uma incursão pelos registros médicos digitais, para tentar trazer às pessoas uma visão mais completa sobre a saúde de cada uma. Também existem rumores persistentes de que a companhia quer expandir o tipo de rastreamento de saúde que o Apple Watch consegue realizar, e talvez até avançar para outros aparelhos e/ou acessórios.

A área de saúde costuma parecer uma indústria grande e monolítica, mas a abordagem incisiva da Apple de cortar as partes em que acredita que pode trazer mudanças verdadeiras permite que a empresa aplique as suas próprias forças. Não está claro para onde a incursão da companhia no segmento vai seguir daqui – mais aparelhos, mais serviços, dispositivos mais capazes – mas está claro que as coisas estão apenas começando.

Você pode dirigir o meu carro

A outra grande arena em que a Apple vem depositando as suas atenções é o mercado automobilístico. Apesar de ainda precisar mostrar algo, está claro que a companhia possui muito interesse na área; você não tem mais permissões para carros autônomos do que a Tesla a não ser que esteja planejando fazer algo.

Até o momento, o único movimento da Apple no setor automotivo foi o CarPlay. Apesar de renovar o sistema de navegação e entretenimento dos carros certamente ser um setor que merece muita atenção, isso representa apenas a ponta do iceberg. Nos últimos, as fabricantes de veículos reforçaram as suas próprias tecnologias, com empresas como a Tesla realmente expandindo os limites para trazer as mais recentes tecnologias do mercado – como telas touchscreen grandes, conectividade e outros recursos inteligentes – para esse segmento.

Tanto a Apple quanto o Google vêm trabalhando para levar as tecnologias que os consumidores usam no dia-a-dia para os carros, tornando-as mais simples e amigáveis aos motoristas. Mas parece que a Apple possui aspirações no segmento automotivo que vão além de simplesmente renovar a tecnologia com a qual o motorista e os passageiros interagem de forma direta. Como a empresa de Cupertino adquiriu muitas licenças para carros autônomos, parece claro que há algum tipo de sistema de direção em desenvolvimento.

No entanto, ainda não se sabe se isso envolveria a Apple construir algo que outras fabricantes usariam, trabalhar com parceiros automotivos específicos, ou construir o seu próprio carro do zero.

Transformar o grande em pequeno

O que fica claro nesses dois casos é que a Apple não é uma empresa focada puramente no mercado de eletrônicos de um modo tradicional. Há uma razão para a companhia ter descontinuado a sua linha de roteadores wireless, ou para ter saído do mercado de displays (pelo menos até a chegada do próximo Mac Pro, em 2019). Antes mesmo disso, a Apple já tinha abandonado outros produtos, como impressoras, uma linha de câmeras digitais e o Newton.

E, mesmo com tudo isso, a Apple ainda é uma companhia que acredita em levar suas grandes ideias para os consumidores. Muitas empresas rivais em situações parecidas estariam trabalhando com outros parceiros corporativos para desenvolver soluções por trás das cenas – soluções que poderiam nunca chegar ao usuário comum. Mas o cliente principal da Apple sempre foi o usuário final. Por isso, a companhia adota uma tática decididamente diferente de deixar as grandes ideias pequenas o bastante para que elas possam se aplicar a mim e a você.

Assim como o super-herói Homem-Formiga, da Marvel, que pode se encolher para o tamanho de uma formiga e ainda manter toda a força do seu tamanho original, a Apple faz com que ideias pequenas tenham a força de ideias muito maiores. Então, por mais que seja divertido pensar grande, também é muito importante pensar pequeno.

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