CNH Digital esbarra em burocracias com apenas 0,4% de adesão dos motoristas

Em 17 jul 2018 - 2:48pm por videobes


A emissão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) Digital passou a ser obrigatória desde o último dia 2 de julho em todos os estados brasileiros. A novidade promete trazer mais comodidade aos motoristas que costumam esquecer o documento em casa e possui o mesmo valor jurídico daquele impresso. Dado o amplo acesso da população brasileira aos celulares, a expectativa inicial era que a atualização para a CNH digital fosse ampla e, relativamente, rápida. Entretanto, não é o que acontece. Nove meses após ser lançada pelo governo federal, a versão digital conseguiu adesão de menos de 0,4% dos motoristas brasileiros.

Segundo levantamento do jornal Folha de S.Paulo, foram emitidos 220 mil documentos até então. Em São Paulo, onde a CNH digital está disponível desde março, pouco mais de 45 mil tiveram acesso ao documento. Na Bahia reside a menor adesão do País – são 574 documentos digitais para uma proporção de 2,4 milhões de condutores.

Mas por que a adesão à CNH digital não teve o retorno esperado? Entre os principais motivos está a relativa dificuldade em obtê-la. Para ter a versão virtual da CNH, o motorista precisa ter uma carteira de motorista impressa que contenha o QR Code. Caso o documento não tiver esse código de barras, ele obrigatoriamente precisa pedir uma segunda via e para isso não tem jeito: é preciso ir a uma unidade do Detran. Vale dizer que as CNHs de papel emitidas a partir de maio de 2017 já contam com esse código.

O aplicativo para a CNH digital é gratuito para download. Ele está disponível nas lojas de app do Google e Apple. No entanto, há estados que resolveram cobrar pelo documento, no caso a Bahia cobra R$ 67,10, enquanto Goiás passou a cobrar R$ 10. Em São Paulo, a CNH virtual é gratuita.

Para além dos processos, há quem encontre dificuldades para utilizar o aplicativo. Na Play Store, a nota ao aplicativo é baixa (2,7) e usuários lamentam a ferramenta e muitos se queixam que não conseguem utilizá-la.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Ronaldo Lemos diz que o documento digital deveria diminuir a burocracia, mas o que aconteceu com a CNH digital brasileira foi exatamente o oposto. “Ter um mesmo documento físico na tela do celular não significa que ele é digital”, disse Lemos ao jornal.

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