Redes sociais buscam viciar usuários em apps, segundo especialistas

Em 5 jul 2018 - 2:17pm por videobes


Todo mundo que usa redes sociais já se pegou acessando o Facebook ou Instagram apenas por costume para acabar passando um tempo considerável navegando pela plataforma sem nenhum objetivo ou foco pré-definido. Essa vontade de ficar voltando aos apps desses serviços pode ter uma explicação bastante simples.

Em entrevistas para um novo programa da BBC, intitulado “Panorama – Smartphones: The Dark Side”, especialistas e ex-engenheiros de empresas do Vale do Silício afirmaram que as companhias de redes sociais trabalham de forma deliberada para viciar os usuários em seus produtos.

“É como se eles estivessem pegando cocaína comportamental e apenas borrifando por toda a sua interface e é isso que fica te fazendo voltar e voltar e voltar. Atrás de cada tela do seu smartphone, existem em média que quase literalmente mil engenheiros que trabalharam nesta coisa para tentar torná-la o mais viciante possível”, afirmou o engenheiro e ex-funcionário da Mozilla e da Jawbone, Aza Raskin, à rede britânica.

Em 2006, Raskin ajudou a criar um dos recursos que estariam entre os mais importantes na formação de hábitos para o uso de aplicativos: o scroll infinito. “Se você não der tempo para o seu cérebro alcançar os seus impulsos, você apenas continua descendo a barra de scroll.”

Na entrevista, Raskin afirma ainda que quando criou o recurso, não tinha intenção de deixar as pessoas viciadas – na época, ele trabalhava para a consultoria Humanized.

Por outro lado, aponta que muitos desenvolvedores trabalham justamente com essa intenção, por conta dos modelos de negócios das grandes empresas. “Para conseguir a próxima rodada de financiamento, para conseguir fazer o preço das suas ações subir, o tempo que as pessoas gastam no seu app precisa subir”, explica.

O ex-gerente de operações do Facebook, Sandy Parakilas, faz observações pelo mesmo caminho. “As redes sociais são muito parecidas com uma máquina caça-níqueis”, aponta o executivo, que deixou a empresa de Mark Zuckerberg em 2012.

Parakilas também afirma que durante o tempo que trabalhou no Facebook (um ano e cinco meses) existia uma consciência sobre esses esforços para tornar o produto viciante. “Definitivamente existia uma consciência sobre o fato de que o produto era viciante e formador de hábitos.”

Por fim, o ex-funcionário do Facebook fez críticas sobre o modelo de negócios da empresa. “Você tem um modelo de negócios feito para te engajar e te fazer basicamente sugar o maior tempo possível da sua vida e então vender essa atenção para os anunciantes.”

Em comunicado à BBC, o Facebook disse que os seus produtos são feitos “para deixar as pessoas mais próximas dos seus amigos, familiars e das coisas que lhes importam”.

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