Como vai funcionar o Uber voador que pode ser testado no Brasil em 2020

Em 22 nov 2018 - 12:06pm por videobes

Estamos muito perto do futuro distópico em que teremos várias “máquinas voadoras” circulando sobre nossas cabeças. Uma das empresas que tomaram a frente para fazer isso se tornar realidade é a Uber, que quer testar sua modalidade voadora (com voos possivelmente até no Brasil) a partir de 2020. Mas como essa nova tecnologia funcionará?

Em primeiro lugar, é preciso definir o que é o chamado Uber Air. É um carro voador? É um avião? É um helicóptero? É o super-homem? Bom, apesar de muita gente chamar de “carro voador”, na prática ele será mais semelhante a um avião ou helicóptero – apesar de várias diferenças sensíveis no seu funcionamento, como o fato de ser elétrico.

É mais um avião do que um carro. Você não pode sair dirigindo ele por aí. O problema dos carros voadores para mim é que eles não são nem bons carros e nem bons aviões Tom Prevot, diretor de sistemas aeroespaciais na Uber e um dos chefes no projeto Uber Elevate.

Veículo elétrico com pousos e decolagens verticais

O veículo elétrico que será utilizado pela empresa é chamado de VTOL (Vertical Take-off and Landing, ou na tradução livre Decolagem e Pouso Vertical). No pouso e na decolagem, o transporte deverá lembrar um pouco os helicópteros, mas com diferenças sensíveis em seu funcionamento. Isso porque ele usa uma propulsão elétrica distribuída pela veículo.

É importante frisar que quem fabrica as aeronaves não é a Uber propriamente – diversas empresas ao redor do mundo, como a Embraer, tentam tornar o produto real e algumas até têm protótipos prontos testados em pequena escala. A Uber acompanha junto a parceiros o desenvolvimento e passou algumas diretrizes do que busca no produto.

“Nós tentamos dar as especificações do que queremos para que elas operem eficientemente na nossa rede. Por exemplo, você não quer misturar uma aeronave lenta com uma muito rápida, seria muito ineficiente. Queremos que múltiplos parceiros sejam bem sucedidos em construir a aeronave, mas para ser eficiente precisa ter alguns requerimentos e nisso estamos ajudando. Também ajudamos eles com relação a design”, explica Tom Prevot.

Uber apresentou alguns conceitos de como deverá ser o Uber Air

O VTOL pode ser definido como uma mistura de helicóptero com drone. Ela usará propulsão elétrica para incentivar hélices espalhadas pelo corpo do veículo. Esse é um dos pontos cruciais para a Uber, por sinal. A empresa quer quer os veículos sejam muito mais silenciosos que helicópteros e uma das estratégias é espalhar pequenas hélices por todo o corpo da aeronave.

Nas viagens, a autonomia dependerá da bateria interna do produto que impulsiona o funcionamento dele – esse é um dos pontos trabalhados pela Uber com as empresas parceiras, já que para o novo tipo de mobilidade ser viável será necessário uma bateria suficiente.

Inicialmente, os veículos deverão contar com pilotos dentro das aeronaves comandando a viagem – provavelmente, pilotos comerciais de helicópteros com um treinamento extra para o VTOL. No entanto, o objetivo da empresa é que tudo seja autônomo no futuro. Para empresas que fabricam a tecnologia, o veículo autônomo é realidade.

“Tem umas 16 empresas que estão realmente construindo o que chamamos de VTOLs. Acho que há um consenso sobre que tipo de veículo é necessário. Voos autônomos são feitos em sua maioria por Radar, Lidar e câmeras, e todos esses sensores existem hoje e já são muito mais em conta financeiramente do que eram um tempo atrás”, diz Clément Monnet, chefe de operações da Voom, empresa de voos de helicóptero sob demanda que foi adquirida recentemente pela Airbus.

O interessante desses veículos é que eles podem decolar e pousar de qualquer lugar teoricamente. A Uber diz que poderá usar até helipontos já espalhados pelas cidades, mas as estruturas terão que passar por adaptações – por exemplo, precisam de locais específicos para recarregar as aeronaves.

A ideia da Uber é que os veículos não sejam usados para trajetos curtos dentro de cidades, mas mais longos. Um exemplo dado pela própria companhia é o de ir de São Paulo ao Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP).

Antes, a companhia já havia afirmado  que o trajeto pode vir a custar no futuro mais barato com o Uber Air do que na modalidade UberX de carros – a intenção, por sinal, é combinar a nova tecnologia com outros modais da plataforma. As viagens serão compartilhadas com mais passageiros, o que possibilita a divisão que deixa ela mais “barata”.

Sistemas próprios

A nova tecnologia não envolve apenas os veículos inovadores. Será necessário criar toda uma tecnologia para sustentar no ar o novo sistema de transporte. Essa é uma das partes em que a Uber será responsável e comandada por Tom Prevot.

“Na Uber estamos criando a rede de terra e a infraestrutura de nuvem que serão um componente da infraestrutura geral. Temos que desenvolver novas tecnologias de espaço aéreo. O jeito atual de gerenciar é limitado a quantas aeronaves o centro de controle pode monitorar ao mesmo tempo. Na escala que queremos operar um dia você não pode simplesmente adicionar mais e mais controladores”, aponta Tom Prevot.

ara criar sistemas para a próxima geração de transportes pelo ar. Segundo Prevot, será necessário mais automação para separar as aeronaves.

Precisa ser muito seguro ao desenvolver isso em paralelo com o sistema existente. Vão ter alguns testes em pequena escala, muitas simulações essencialmente na rede que iremos gerar.

A Uber está ciente de que a sua nova modalidade precisará passar por regulamentações não só locais como também de entidades que regulam o espaço aéreo – normalmente, há um rigor grande dessas instituições. Mesmo assim, Prevot diz ter visto sinais positivos dessas instituições para que a Uber cumpra a ideia de lançar testes em 2020 e operações comerciais para usuários em 2023.

Brasil tem mesmo chances de receber teste?

A tecnologia está há alguns anos de virar realidade, mas o brasileiro já pode ter uma mínima animação. O país está entre os finalistas para ser a sede do terceiro Uber Air Center – os primeiros testes serão feitos em Dallas, Los Angeles e uma terceira cidade internacional em uma disputa que terá o vencedor revelado no próximo ano. Mas São Paulo e Rio de Janeiro têm chances?

“Pensamos em muitas coisas na hora de escolher. O negócio em chão por lá tem que ser grande, as pessoas que trabalham com regulamentações têm que trabalhar conosco, precisa de um mercado bom e atrativo. Tudo isso se aplica a locais como São Paulo e outras cidades. A integração da tecnologia de sistemas também precisa ser possível”, afirma Prevot.

Segundo o diretor da Uber, existe uma lista de 145 fatores que será checada a fundo antes da cidade ser definida. Mas São Paulo, principalmente, tem alguns motivos para se animar.

Em primeiro lugar, a capital paulista é a cidade em que a Uber mais tem viagens de carro no mundo. O município também é o maior do mundo em frota de helicóptero para civis, o que mostra que há mercado por aqui. Outro ponto positivo é a localidade da Embraer em São José dos Campos (SP), a 110 km da capital. A empresa é uma das que desenvolve o VTOL e também trabalha com sistemas de tráfego aéreo.

Se isso tudo vai ser suficiente para superar a concorrência de cidades do Japão, Austrália, Índia e França, saberemos em breve.

 

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