Distrito Fintech acena com conexão e inovação ao ecossistema startup

Em 9 abr 2019 - 8:13pm por videobes


Há dois meses, a movimentada Avenida Rebouças, em São Paulo, é o novo reduto das fintechs no Brasil. Foi lá, em meio a um espaço arborizado onde empreendedores entram e saem com suas bicicletas, que nasceu o Distrito Fintech, um prédio de quatro andares e 2 mil metros quadrados com a missão de fomentar e conectar startups, empresas e investidores do mercado financeiro, que buscam reinventar suas estratégias com a ajuda de novos negócios, que têm a agilidade em seu DNA.

A HDI Seguros e a KPMG Brasil decidiram apostar no espaço e, hoje, são cofundadoras do Distrito Fintech. Outras companhias, no entanto, podem se associar ao centro de inovação, que tem também como parceiros empresas como Mercado Bitcoin, Neon Pagamentos e o escritório de advocacia Pinheiro Neto. Fintechs como MEI Fácil, Pet Tokens, goLiza, Ali Crédito, Yubb, Fisher VB e Beaver são apenas alguns dos nomes que fazem parte do espaço.

Gustavo Gierun, sócio do Distrito Fintech, revela que a iniciativa nasceu em 2014 como um coworking e dois anos depois, no boom das startups, mudou seu escopo para ser o que é hoje. “Em uma ponta, tínhamos investidores e na outra o coworking. Entendemos que nossos investimentos (?) avançavam quando colocávamos a mão na massa. Foi aí que levamos inovação para as grandes empresas. Nosso modelo não é só prestar consultoria, mas fazer parte do ecossistema”, conta.

A missão do Distrito Fintech, que tem quatro unidades, cada uma com um foco (financeiro, varejo, marketing e indústria 4.0), é ousada. “Queremos ser a maior comunidade de inovação da América Latina”, projeta Gierun. Nos próximos meses, essa meta ganhará reforço com a inauguração do quinto Distrito Fintech voltado para a área da saúde, e que ficará dentro do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Hoje, em todo os hubs já são mais cem startups.

Para fazer parte do Distrito Fintech, as empresas precisam pagar um valor mensal, mas o distrito não tem fins lucrativos. “A ideia é fortalecer o ecossistema”, reforça Gierun. Segundo ele, uma das formas de mapear o aumento dessa rede é por meio de um dataminer, que minera e reúne informações de startups, corporações, universidades, institutos de pesquisa que produzem tecnologias disruptivas. Todo esse ecossistema já conta com 12,8 mil negócios de base tecnológica.

Surgimento do Leap

Para liderar a virada digital nas grandes instituições financeiras, o Distrito Fintech, junto com a KPMG, estruturou a Leap, plataforma de inovação aberta que conecta empreendedores, empresas, investidores, com a missão de solucionar problemas complexos na jornada da transformação digital. “Agregamos a agilidade das startups com a solidez da KPGM para levar inovação para as grandes instituições”, comenta o executivo.

Ricardo Anhesini, sócio-líder de Serviços Financeiros da KPMG no Brasil, não revela o valor direcionado para a iniciativa, mas assinala que o Distrito Fintech foi o principal projeto de inovação e tecnologia da empresa até então no Brasil. “Entendemos esse modelo, percebemos complementariedade e construímos uma proposta inédita de atuação”, garante. Gierun destaca que o interessante da estratégia da KPMG é que a própria companhia está se transformando para levar as mudanças na prática para as gigantes que atuam no Brasil.

Ambos executivos reconhecem que levar inovação e transformação às empresas mais tradicionais é um desafio gigantesco. Por isso, Distrito Fintech e Leap têm um papel enorme em educar o mercado. “É uma transformação além da estética. É profunda e consciente e precisa de parceiros que assumam responsabilidade na transformação”, completa Anhesini.

O sócio da KPMG revela que a rápida transformação dos negócios é um aprendizado constante e que atuação logo no início do projeto é um diferencial importante, acelerando ações e resolvendo falhas rapidamente. “Antes, em um cenário tradicional de consultoria, eu receberia uma ligação do cliente para arrumar um problema. Hoje, participo da fase da estratégia”, indica.

Os executivos não revelam os nomes das empresas que estão em plena jornada de mudança, mas relatam que já integram a lista de gigantes de telecom, saúde, indústria e bancos.

Para os próximos meses, Gierun indica que o Distrito Fintech busca fortalecer a rede de startups de forma virtual. “Não pretendemos expandir espaços físicos. Acreditamos em uma comunidade conectada digitalmente, criando soluções relevantes”, finaliza.

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